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Pesquisa da UFV busca medicamento contra vírus transmitidos pelo Aedes


Pesquisadores da UFV buscam remédio contra doenças transmitidas pelo Aedes (Foto: CCS/UFV)
Pesquisadores buscam remédio contra doenças transmitidas pelo Aedes aegypti (Foto: CCS/UFV)


Trabalho pode resultar em antiviral que inibe desenvolvimento de doenças.
'Ainda precisamos de muitos testes para chegar ao remédio', diz professor.


Uma pesquisa sobre o vírus "Oeste do Nilo" pode levar a um medicamento que poderá ser usado para inibir os efeitos de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Esse é o objetivo de uma pesquisa em andamento no Laboratório de Química Supramolecular da Universidade Federal de Viçosa (UFV).


Os vírus transmitidos pelo mosquito têm semelhanças estruturais que os tornam vulneráveis à composição das substâncias que estão em estudo para a elaboração do remédio.

Cidades da Zona da Mata registram casos e até mortes por dengue, zika e chikungunya, além de suspeitas de Síndrome de Guillain-Barré. De acordo com o coordenador do programa de pós-graduação em Agroquímica, Robson Ricardo Teixeira, os resultados até agora são animadores, mas ainda há muito a ser feito.

“Nós estamos com pouco mais de um ano de pesquisa e atingindo bons resultados. Não queremos ser negligentes. Ainda precisamos de muitos testes, temos pelo menos entre dez e 12 anos pela frente para chegar ao remédio”, explicou o professor.

A equipe é formada por ele, pelo professor Sérgio Oliveira de Paula, do Departamento de Biologia Geral, e pelos estudantes de doutorado do Programa de Biologia Celular e Estrutural da UFV, Ana Flávia Costa da Silveira Oliveira e André Silva de Oliveira, e a mestranda do Programa de Pós-graduação em Agroquímica, Ana Paula Martins de Souza.

Desde 2014 o grupo testa e sintetiza compostos naturais no laboratório, avaliando-os contra uma proteína do vírus do Oeste do Nilo, causador da encefalite.

“Um dos testes que fizemos com o composto sintetizado foi contra uma protease, que contribui para a replicação viral, ou seja, multiplicação do vírus no organismo. Esta protease que está presente no vírus do Oeste do Nilo é muito parecida com a que existe nos vírus da dengue e da zika. Por isso, é bastante provável que, ao conseguir uma substância que iniba a ação dela, conseguiremos interromper o processo de infecção das outras doenças”, comentou Robson Ricardo Teixeira.

O professor destacou que, se os testes continuarem evoluindo positivamente, a pesquisa pode chegar a um antiviral, que seria usado para inibir a ação do vírus no organismo.

“Nos testes até agora, chegamos a inibir 90% da ação da proteína, o que significa parar a multiplicação do vírus no organismo. Não é uma vacina, mas pode resultar em um remédio que deverá ser usado de forma preventiva para impedir o desenvolvimento da infecção”, explicou.

De acordo com o coordenador da pesquisa, o estudo se une aos trabalhos em andamento em outras universidades, que podem resultar em métodos de prevenção e combate à dengue e à zika, especialmente.

“Os pesquisadores têm a obrigação de correr atrás desta resposta, para a sociedade. Meu pai e minha mãe já tiveram dengue quatro vezes e não quero ver outras pessoas passando pelo que eles sofreram. Se a pesquisa puder encontrar um fármaco, que tenha poucos efeitos colaterais, que possa ser vendido a custo baixo para todos se protegerem dessas doenças, será ótimo”, afirmou.

 

Fonte: Portal G1 Zona da Mata


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