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Terras raras, o Brasil em busca de soluções científicas e industriais


Durante as últimas décadas, as chamadas terras raras tornaram-se insumos valiosos em razão do grande número de aplicações industriais, algumas estratégicas, que oferecem. Dois exemplos mostram essa importância para a economia brasileira. A futura produção de magnetos para equipamentos de energia eólica depende do neodímio que, atualmente, é fornecido apenas pela China. Já os catalisadores essenciais ao processamento de petróleo também exigem a importação, da mesma fonte, de cerca de 900 toneladas anuais de terras raras. Se o Brasil dispõe em seu território de promissoras jazidas de minerais contendo tais elementos, questionam os especialistas, o que falta para explorar esses recursos? A resposta passa não apenas pela falta de planejamento dos setores mineral e industrial, mas também pela necessidade de capacitação em tecnologias de extração e purificação química dos insumos. "Terras à vista. Serão Raras? Para que servem? Quanto valem?" é o tema da conferência de abertura que será proferida pelo professor Osvaldo Antonio Serra (USP) na 37ª Reunião Anual da SBQ. 


O contexto do mercado internacional de terras raras explica a situação vivida pelo Brasil e outros países, analisa Osvaldo Serra. Principal produtora mundial, a China, nos últimos 20 anos, ofertou as terras raras por preços baixos e vantajosos a todos os compradores, lembra ele. Isso fez com que vários países produtores, como os Estados Unidos e Austrália, parassem a produção. Além do baixo custo, comprar da China evitava o processamento local, cercado de cuidados ambientais. Em 2010, a China mudou sua política de preços e aumentou o valor dos produtos, em escala até vinte vezes maior do que os então praticados, o que levou os interessados a voltar à produção local. 

O Brasil tem várias áreas onde são encontradas terras raras, avalia, principalmente monazita e bastnasita em Araxá (MG) e Catalão (GO). Em Pitinga (AM), há jazidas de xenotima, onde é possível explorar terras raras pesadas que dão origem a insumos destinados às indústrias opto- e eletroeletrônica. 

"Não é uma tecnologia difícil, mas é uma tecnologia que não dominamos completamente", observa, notando que o mais conveniente para o país seria montar joint-ventures com empresas do exterior (China, Austrália, USA). De forma geral, as mineradoras brasileiras estão mais voltadas para processos físicos de extração de minérios. Os processos químicos, por sua vez, demandam toda uma preocupação ambiental que deverá ser atendida para essas iniciativas. 

Do ponto de vista da pesquisa, o país apresenta um número expressivo de publicações científicas sobre terras raras, constata, mas esse conhecimento está quase sempre circunscrito ao espaço acadêmico. A conferência vai abordar o quadro geral do mercado onde se inserem esses materiais e as características da pesquisa em química sobre eles, com destaque para aplicações em luminóforos, catalisadores e protetores de radiação UV, suas principais linhas de atuação.

 

Fonte: Carlos Martins (Assessoria de Imprensa da SBQ)


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